Reformador, janeiro 1954, p. 22.
O sexo, no templo da vida, é um dos altares em que a divina luz do amor
se manifesta.
A ele devemos, no mundo, a bênção do lar, a ternura das mães, os laços da
consanguinidade, a coroa dos filhos, o prêmio da reencarnação, o retorno à lide
santificante...
Através dele, a esperança ressurge em nossa alma e o trabalho se renova
para nosso espírito, na esteira dos séculos, para que o tempo nos reajuste, em
nome do Eterno Pai...
Fonte de água pura — não lhe viciemos o manancial.
Campo de renovação — respeitemo-lo.
Escada para o serviço edificante, usada na consagração do equilíbrio,
conduzir-nos-á ao monte resplendente da sublimação espiritual — não a
convertamos, pois, em corredor descendente para o abismo.
Dos abusos do sacrário em que o Senhor situou o ofício divino da gênese
das formas, resultam para a Terra aflitivas paisagens de amargura e desencanto,
desarmonia e pavor.
Rendamos culto a Deus, na veneração do jardim em que a nossa existência
se refaz.
Se o amor nos pede sacrifício, saibamos renunciar construtivamente,
transformando-nos em servidores fiéis do Supremo Bem. Se a obra do
aperfeiçoamento moral nos impõe o jejum da alma, esperemos no futuro a
felicidade legítima que brilhará, por fim, em nossas mãos.
A Lei segue-nos, passo a passo.
Não nos esqueçamos.
Em qualquer circunstância, recordemos que o sexo é um altar criado pelo
Senhor no templo imenso da vida.
Santificá-lo é santificar-se.
Conspurcá-lo será perdermo-nos no espaço e no tempo, descendo a escuros
precipícios da morte, dos quais somente nos reergueremos pelos braços
espinhosos da dor.
(Página recebida pelo médium
Francisco Cândido Xavier, na reunião da noite de 5-8-53, em Pedro Leopoldo.)